Cavalos (Equus caballus)


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Espécies

O Brasil dos Outros 500


Nomes alternativos: cavalo (português), kabaru (tupi), kavaju (guarani), paard (holandês), horse (inglês), caballo (castelhano), cheval (francês), cavallo (italiano), Pferd (alemão), loshad’ (russo), hippos (grego), alogo (grego moderno), equus (latim), farasi (suaíli), eshin (ioruba), uma (japonês), ma (chinês), mal (coreano), kaballu (quéchua), qaqilu (aimará), cahuayo (náhuatl), tsíimin (maia), ashva (sânscrito), hisan ou jauad (árabe), sus (hebraico), rûk (neandertalês ocidental), rocco (élfico europeu), roch (caapora)

Altura média: machos: 1,52 m, fêmeas: 1,47 m na cernelha (com ampla variabilidade racial) e respectivamente 1,90 m e 1,83 m até o alto da cabeça. Comprimento médio: machos: 2,30 m, fêmeas 2,20 m (com ampla variabilidade racial), mais cauda de 0,75 m a 1,25 m. Massa média: machos: 480 kg, fêmeas: 410 kg (com ampla variabilidade racial)

Hábitat: acompanha o homem em quase toda a superfície terrestre do planeta.

Inteligência Abstrata: -9½; Inteligência Concreta: -4; Resistência: +2; Proteção: –; Tamanho: +1; Saúde: 0 (+1 em cavalos de guerra), com bônus de +5 para Preparo Físico; Mobilidade: +½ (+0 para um cavalo de tração, +1 ou +1½ para um cavalo de corrida); Sentidos: +3 (Olfato: +8; Audição: +2; Visão: 0, com visão periférica +1, visão noturna superior, presbiopia e daltonismo); Dificuldade de treinamento: +2½ (variável conforme a raça).

Habilidades médias: Força: macho: +9, fêmea: +8½ (de +3 ou menos para pôneis pequenos até +12 em grandes cavalos de tração); Capacidade de carga: +2 (+3 para pôneis); Combate: +1 (+3 para um cavalo de guerra); Esquiva: +2 (+1½ para um cavalo de tração); Salto: +6 (até +12 para um puro-sangue treinado); Natação: +4 (+6 em animais treinados); Corrida (curta): +14 (até +19, dependendo de raça e treinamento); Preparo Físico: +6 (até +10 em cavalos árabes treinados); Caça: +2.

Manobras de combate: Coice (2½ / 2½); Mordida ( 2 / 2); Patada (1½ /1½)


Características

O cavalo possui uma cauda vertebrada muito curta, mas prolongada por pêlos longos. Tem orelhas curtas, eretas, e crina pendente. A dentição apresenta longos incisivos (cujo desgaste indica a idade do animal) e grandes molares. Um grande casco, que chega a pesar 500 g, envolve totalmente a última falange do único dedo em que termina cada membro. Herbívoro, granívoro e corredor, tem o coice com as patas traseiras como principal defesa, cujo dano básico é ½ / ½ mais o modificador de Força. O dano da patada com as patas dianteiras é -½ / -½ mais o modificador de Força e o dano da mordida é 0 / 0 mais o modificador de Força.

O maior cavalo já documentado foi um Shire de 2,20 m de altura e 1.524 kg, que viveu na Inglaterra do século XIX. O menor foi um Falabella que viveu nos EUA do século XX, com 36 cm de altura e 9 kg.

A fêmea (égua) tem um filho (potro ou poldro) por gestação, que dura 11 meses e 10 dias; o potro põe-se de pé em cerca de uma hora, pode correr quatro horas depois de nascido e é amamentado por cerca de 6 meses. A puberdade aparece entre 16 e 18 meses; os cavalos são considerados maduros aos três anos e adultos aos cinco. A fecundidade dura até 12 a 15 anos na maioria das raças e 20 anos nos puros-sangues (que, entretanto, só conseguem participar de competições dos dois aos oito anos). Os cavalos vivem em média 25 anos, mas ocasionalmente podem chegar a 30 ou 35 anos e o recorde é 62 anos .

A reprodução pode ocorrer todo o ano, mas a atividade sexual é mais pronunciada na primavera. O cio dura de três a oito dias; se não há fertilização, reaparece depois de três a quatro semanas. O garanhão pode cobrir duas éguas por dia.

Os olhos dos cavalos têm boa acuidade um amplo campo de visão, mas não têm capacidade de focalizar a menos de 2 metros e não têm visão a cores, mas tem boa visão noturna, que junto com os outros sentidos permite, muitas vezes, que se oriente à noite melhor que seu cavaleiro. Olfato e audição também são bem desenvolvidos, capacitando-os para detectar água, fogo e mesmo perigos distantes; percebem sons de ate 25.000 hz. Têm boa memória e o senso de direção lhes permite encontrar seus estábulos mesmo à noite ou depois de uma longa ausência.

Cavalos são naturalmente preguiçosos, tímidos e receosos: seu instinto os leva a perceber o perigo à distância e tentar fugir o quanto antes. A submissão ao homem não elimina seus sentimentos inatos de apreensão e insegurança. Assustado, o cavalo freqüentemente escoiceia ou morde, mas perante um perigo real, sua reação mais provável é disparar. Na carga de cavalaria, os cavalos estão aterrorizados com os gritos e toques de corneta e, imaginando que o perigo vem de trás, voam para aquilo que, no seu pânico, lhes parece a segurança.

Cavalos selvagens podem habitar savanas, prados, estepes ou tundras. Vivem em grupos familiares formados por um garanhão adulto e uma a dez éguas, mais os respectivos potros. A fêmea líder indica a direção na qual a manada viaja, enquanto o garanhão vai atrás, “pastoreando” a família. A decisão de parar para pastar, porém, é da maioria da manada. Os ancestrais selvagens da maioria dos cavalos modernos foram provavelmente pôneis de 1,22 m de altura. As grandes raças de tração, porém, parecem descender de uma subespécie maior que viveu nas florestas européias.

Quando os jovens machos atingem a idade de reprodução e começam a tentar desafiar o garanhão ou cruzar com suas éguas, são expulsos da manada para formar manadas de solteiros com outros jovens garanhões. Geralmente, o garanhão só consegue formar seu próprio harém com 7 ou 8 anos de idade. A única subespécie hoje remanescente de cavalos autenticamente selvagens é o cavalo de Przewalski (Equus caballus przewalskii), encontrado na Mongólia, onde é conhecido como taki; sua população mundial, incluindo espécimes em cativeiro, é de cerca de 1.100 exemplares.

Outra subespécie selvagem, o tarpan da Europa Oriental (Equus caballus gmelini) extinguiu-se em 1880; um substituto foi recriado posteriormente por meio do cruzamento de cavalos com características semelhantes, para ser libertado em florestas da Polônia, onde é conhecido como konik. Todos os outros cavalos “selvagens”, como os mustangs dos EUA, os brumbies da Austrália e os crioulos dos Pampas são descendentes de animais domésticos que escaparam a seus donos para viver em liberdade.

Há hoje cerca de 60 milhões de cavalos domesticados em todo o mundo. Puros-sangues são treinados a partir dos 18 meses de idade, mas outras raças normalmente começam a ser treinadas e montadas a partir dos dois anos e meio ou três anos e meio. Treinar um cavalo para receber arreios e ser montado leva normalmente 30 dias, mas treinamento avançado, inclusive para a guerra, pode demandar anos e não deve começar antes dos 5 anos de idade.

Normalmente, um cavalo deve receber uma hora de cuidados por dia, sendo limpo e escovado e depois exercitado por 15 a 30 minutos antes de ser selado e arreado. Um cavalo consome, em média, o equivalente a 2% do seu peso em matéria seca (feno, pasto e/ou cereais) por dia, além de 8% a 10% do seu peso em água, que não pode ter alto conteúdo salino (cavalos são menos tolerantes à salinidade da água que os humanos). Um cavalo que trabalhe a metade do dia ou menos necessita de 0,33% do seu peso em grãos e um que trabalhe o dia todo necessita 1% do peso em grãos. Se o cavalo não trabalha, 0,4 a 1,6 hectares de pasto, dependendo da qualidade, podem bastar. Na falta de pasto, o cavalo deve receber 1% do peso em feno ou palha. Cavalos precisam de uma hora para consumir sua ração, ou 6 a 8 horas para pastar. Cavalos alimentados com grãos têm mais força e resistência – pode-se somar meio grau à sua Força e Agilidade.

O casco do cavalo cresce continuamente e renova-se completamente em nove meses. Em estado selvagem, com pastos macios e terra natural sob as patas, existe um equilíbrio entre a velocidade a que o caso se gasta e a velocidade a que cresce. Cavalos domésticos, porém, precisam percorrer grandes distâncias em superfícies duras, tais como estradas e pistas de terra batida, muits vezes transportando ou puxando cargas pesadas. Isso submete o caso a um desgaste excessivo, não compensado naturalmente. A forma de evitar que o cavalo fique coxo é proteger o casco.

Antigos cavaleiros asiáticos protegiam os pés dos cavalos com sapatinhos de couro e plantas.  Os romanos usavam um tipo de ferradura sem cravos, chamada solea, que consistia numa chapa de ferro presa à parte inferior do casco por braçadeiras e tiras de couro, como uma sandália. Por volta dos séculos VI e VII, cavaleiros europeus começaram a fixar ferraduras de metal com cravos. Por volta do ano 1000 (época das cruzadas) ferraduras de bronze fundido eram comuns na Europa. Nos séculos XIII e XIV, ferraduras de ferro começaram a ser usadas. O processo de aquecer a ferradura antes de ferrar o cavalo tornou-se comum no século XVI.

Como um casco ferrado está protegido e não se desgasta, o ferrador tem de apará-lo cada vez que as ferraduras são substituídas, a cada 30 ou 40 dias. A primeira ferração é geralmente efetuada pouco depois de o animal ter sido domado.


História

O cavalo tal como o conhecemos hoje surgiu na América do Norte há cerca de um milhão de anos e de lá migrou para a América do Sul e para a Ásia, Europa e África, mas nas Américas extinguiu-se há cerca de dez mil anos, provavelmente devido à caça excessiva. Só retornou ao Novo Mundo com a conquista espanhola. Acredita-se que o cavalo foi domesticado pela primeira vez a partir de 6.000 a.C., provavelmente por povos indo-europeus da atual Ucrânia. Inicialmente foi usado como fonte de carne e leite e depois para puxar bigas – carros leves (cerca de 34 kg) de batalha puxados por dois cavalos e conduzidos por um auriga, que serviam de plataforma móvel para um arqueiro –, que por volta de 2.000 a.C., estavam bem estabelecidos como a mais poderosa arma de guerra do Egito, Mesopotâmia e vale do Indo. Como alimentar uma parelha de cavalos exigia a produção de 4 hectares de cevada, a posse de uma biga foi, desde o início, um privilégio da nobreza.

No início da Idade do Ferro (cerca de 1.000 a.C.), o cruzamento seletivo criou raças maiores e mais fortes, capazes de transportar o peso de um guerreiro. Inicialmente, tais cavalos foram usados aos pares: um arqueiro disparava de um dos cavalos, enquanto outro conduzia ambos. Na Antiguidade Ocidental grega e romana, os cavalos flanqueavam os exércitos e tiveram um papel secundário como montaria de batedores e comandantes, em escaramuças ou para fustigar a infantaria, mas os hunos, germanos, mongóis e árabes fizeram da cavalaria ligeira sua principal arma de guerra.

Os persas foram os primeiros a usar cavalaria pesada (catafractos, cavaleiros com armaduras), sendo imitados mais tarde pelos bizantinos e pelos cavaleiros medievais, que para isso empregaram raças de grandes cavalos hoje usadas apenas para tração.

Após a invenção da pólvora, as armaduras tornaram-se obsoletas e a distinção entre cavalaria ligeira e cavalaria pesada passou a referir-se à forma de uso: a cavalaria ligeira (hussardos ou lanceiros) para reconhecimento e flanqueamento; a cavalaria pesada (couraceiros e dragões) como força de choque em cargas frontais. O uso militar do cavalo entrou em declínio a partir da I Guerra Mundial; foi abandonado pelos EUA em 1940 e pela URSS e China nos anos 50. O uso do cavalo nos transportes e na agricultura também tem-se reduzido desde o final do século XIX, mas ainda é importante em regiões isoladas.

A carne de cavalo também é consumida em partes da Europa, notadamente Islândia e seus ossos e cartilagens usados para a fabricação de cola. Antitoxinas para o tétano e soros antiofídicos são geralmente produzidos do sangue de cavalos inoculados. Crinas de cavalo são usadas em enchimento de móveis e arcos de violino. Esterco de cavalo é usado como adubo e no cultivo de cogumelos e, no passado, foi também usado como combustível (notadamente pelos citas). O leite de égua foi consumido por citas, mongóis e árabes.


Andamentos

Na maioria das raças eqüinas os andamentos naturais são o passo, trote e galope. O passo tem uma velocidade média de apenas 1 m/s (3,6 km/h) a 2 m/s (7,2 km/h), o trote de 2,5 m/s (9 km/h) a 3,5 m/s (13 km/h); o meio-galope de 4,5 m/s (16 km/h) a 5,5 m/s (20 km/h) e o galope controlado 6 m/s (22 km/h) a 7 m/s (25 km/h); acima disso, o cavalo está a pleno galope que, em cavalos quarto-de-milha, pode chegar a 68 km/h (19 m/s) nos primeiros 400 metros. Para distâncias médias (2.400 m), o recorde é 60 km/h (17 m/s). O recorde de salto (com cavaleiro) em altura é 2,47 m e de salto em distância, 8,40 m.

Um cavalo em uso normalmente leva arreios e sela. Selas de cavalos de corrida puro-sangue pesam menos de 5 kg, selas comuns, 13 kg e selas para cavalos quarto-de-milha e para provas de resistência até 20 kg (mas distribuem melhor o peso do cavaleiro). Cavaleiro e sela comuns normalmente equivalem a 20% do peso do cavalo, mas jóqueis de cavalos de corrida costumam ser muito leves (50 kg ou menos), de forma que a carga de seus cavalos é da ordem de 15% do peso ou menos. Em geral, um cavaleiro significa, para o cavalo, uma carga leve (um grau de carga). Um cavalo médio pode carregar 100 kg a 120 kg sobre o dorso (um grau de carga) ou puxar um veículo de 400 kg a 450 kg. Um grande cavalo de tração pode fazer o dobro desse esforço.

Um cavalo provavelmente correrá os primeiros 100 metros a pleno galope, trotará 1.000 metros e andará a passo 100 km em um dia, possivelmente passando ocasionalmente a meio-galope se não estiver demasiado cansado. Cavalos treinados podem fazer 200 km em oito horas de um dia, a uma velocidade média de 7 m/s (25 km/h), mas necessitarão depois de 24 horas ou mais de descanso (cavalos árabes são os mais resistentes para essa finalidade). Sistemas de correio que permitem a um cavaleiro trocar de cavalo a cada 30 km podem permitir cobrir mais de 300 km por dia.

A partir de mutações aparentemente sofridas pelos cavalos berberes do norte da Africa, surgiu no lugar do trote a andadura, controlada por um gene recessivo, no qual os pés laterais deslocam-se em sincronismo perfeito. Esta movimentação peculiar é conhecida como paso em espanhol e como marcha no Brasil. É mais macio para o cavaleiro que o trote, mas exige mais esforço do cavalo e o esgota mais rapidamente. Foi relativamente comum na Idade Média e até o século XVII, quando montar a cavalo era o principal meio de transporte da nobreza, mas ao longo dos séculos XVIII e XIX, quando os ricos passaram a se deslocar principalmente em carruagens e diligências, a resistência e o poder de tração tornaram-se prioritários e a andadura passou a ser considerada indesejável. Conservou-se em umas poucas raças de regiões tradicionalistas e isoladas, como o pônei islandês, o cavalo de passo peruano e o mangalarga marchador de Minas Gerais.


Cores

O pêlo e a crina costumam se apresentar dentro de certos padrões, que caracterizam algumas raças. As seguintes denominações são mais comuns no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul:

 

Alazão

cor de canela (vermelho-claro alaranjado) uniforme

Azulego

azul quase preto, entremeado de pintas brancas, produzindo um reflexo azulado

Baio

cor de ouro desmaiado ou café com leite fraco

Baio cabos-negros

com pernas, crina e cauda pretas

Baio encerado

café com leite forte e manchas arredondadas e levemente mais escuras.

Baio cebruno

café com leite forte e argolas pretas nas quatro patas

Baio ruano

café com leite bem desmaiado e crina e cola brancas

Barroso

cor branca amarelada; há diversas tonalidades: barroso claro, amarelo, fumaça

Bragado

castanho com grandes manchas brancas pela barriga

Branco

uniformemente branco

Brasino

vermelho com listras pretas ou quase pretas

Calçado

com uma canela branca ou mais

Castanho

castanho-avermelhado com cauda e membros pretos

Colorado

vermelho

Colorado pinhão

vermelho carregado

Douradilho

amarelado, com reflexos dourados quando exposto ao sol

Gateado

café com leite forte, ou marrom fraco

Jaguaré

fio do lombo e ventre brancos, e os lados de cor preta ou vermelha

Lobuno

crina, cauda e membros pretos, com pelo acinzentado ou enfumaçado (cor de lobo)

Malacara

vermelho de testa branca, com uma listra da mesma cor que desce até o focinho

Mouro

pequenas pintas brancas sobre fundo preto

Oveiro

manchas grandes, brancas, vermelhas ou pretas, arredondadas.

Pangaré

vermelho-escuro ou mais ou menos amarelado, desbotado no focinho, baixo-ventre e algumas outras regiões

Pampa

com toda a cabeça branca

Picaço

preto com a cara, ou cara e pés, de cor branca

Preto

uniformemente preto

Rabicano

com fios de cabelos brancos na cauda

Rosilho

pintas brancas sobre o fundo vermelho

Rosilho prateado

idem, com a anca quase branca

Ruano

mais claro que alazão, com cauda, crinas, orelhas e focinho de um amarelo esbranquiçado

Salino

pêlo salpicado de pequeninas manchas brancas, vermelhas ou pretas

Tobiano

escuro com faixas largas e bem definidas, em geral brancas e verticais, formando grande contraste

Tobiano rosilho

idem, com faixas rosilhas

Tobiano mouro

idem, com faixas de pêlo mouro

Tordilho

cor do tordo (sabiá):, fundo branco encardido salpicado de pequenas manchas mais ou menos negras

Tordilho negro

fundo branco com pintas de negro desmaiado

Tordilho vinagre

branco com pintas marrons

Tostado

semelhante ao alazão, porém mais escuro

Tostado ruano

cor de castanha madura e crinas e cauda brancas

Zaino

castanho escuro

Zaino cruzado

marrom escuro e duas patas brancas desencontradas

Zaino negro

quase preto

Zaino pinhão

puxado à cor de pinhão maduro

Zaino tapado

que não tem qualquer pinta branca

 

Em Portugal, usa-se a seguinte classificação:

 

Pelagens simples

Branco

brancos em pele rosada

Brilhante (ofuscante)

(uma só cor)

 

 

Prateado (tonalidade metálica)

 

 

 

Porcelana (tonalidade azulada)

 

 

 

Sujo (tonalidade amarelada)

 

Preto

preto

Puro (uniforme)

 

 

 

Morzelo (levemente avermelhado)

 

 

 

Azeviche (negro e brilhante)

 

Alazão

amarelo a vermelho

Claro (vermelho tendendo a amarelo)

 

 

 

Dourado (cor de ouro)

 

 

 

Cor de fígado (vermelho tendendo a castanho)

 

 

 

Hematita (tendendo a castanho-avermelhado)

 

 

 

Bronze (cor de bronze)

 

 

 

Pálido (desbotado)

Pelagens compostas

Rosilho

branco e vermelho ou amarelo

Claro (predominantemente branco)

(2 cores entremeadas)

 

 

Escuro (predominantemente vermelho ou amarelo)

 

Ruço

branco e preto,

Claro (predominantemente branco)

 

 

por vezes mesclado de vermelho

Escuro (predominantemente preto)

 

 

 

Aço (brilhante com predominância de preto)

 

 

 

Prateado (brilhante com predominância de branco)

 

 

 

Estorninho (preto com tufos ocasionais de branco)

 

 

 

Malhado (preto com manchas bem definidas de branco)

 

 

 

Mosqueado (manchas pequenas e esparsas de preto)

 

 

 

Rosado (mescla de pêlos vermelhos)

 

 

 

Branco (pêlo branco sobre pele preta)

Pelagens compostas

Baio escuro

amarelo escuro, pontos pretos

Rato (cor amarelada-escura)

(2 cores separadas)

Baio

amarelo até os joelhos; preto

Claro (tendendo a branco)

 

 

para baixo dos joelhos,

Luminoso ou Bege (tendendo a amarelo)

 

 

cauda e crina pretas

Dourado ou Isabel (amarelo mais brilhante)

 

Rato

cor de chumbo, pontos pretos,

Claro

 

 

crina e cauda pretas

Escuro

 

Castanho

avermelhado, pontos pretos;

Comum (quase preto)

 

 

crina e cauda pretas

Escuro (vermelho-acastanhado)

 

 

 

Cor de castanha (castanho-avermelhado)

 

 

 

Cereja (cor de cereja madura)

 

 

 

Dourado (com pontos dourados)

 

 

 

Clavo (de cor desbotada)

 

 

 

Desbotado (focinho, barriga, flancos e interior das coxas quase brancos)

Pelagens compostas

Rucilho

pêlo branco, vermelho e preto

Claro (predominantemente branco)

(3 cores)

 

 

Escuro (predominantemente preto)

 

 

 

Castanho-avermelhado (predominantemente vermelho)

Malhados

Malhado de preto (manchas grandes e irregulares de preto e branco)

(manchas irregulares de duas cores)

Malhado de castanho (manchas de branco e outra cor, não preta)

 

Odd colored (grandes manchas de mais de duas cores)


Raças

Há cerca de 200 raças de cavalos, às vezes classificadas como fogosos ou de “sangue quente” (hotblood), “sangue morno” (warmblood) e “sangue frio” (coldblood). Os cavalos de sangue quente são os cavalos árabes e berberes, que surgiram no século VII e são famosos por seu temperamento fogoso; e os puros-sangues de corrida, que deles descendem: são raças difíceis de controlar e facilmente excitadas. Os de “sangue frio” são os cavalos de tração ou tiro, calmos e relativamente lentos. Os de “sangue morno” são os demais, mas principalmente as raças européias usadas em espetáculos eqüestres, versáteis e de temperamento equilibrado.

Uma classificação mais consistente agrupa as raças em dolicomorfas ou longilíneas (de membros altos, adequadas à corrida), mesomorfas ou mediolíneas (mais robustas, com uma ação rápida e poderosa que os faz bons cavalos de sela, adequados a trabalhos agrícolas leves) e braquimorfas ou brevilíneas (maciças, compactas, com linhas curtas e fortes, adequadas para tração pesada e trabalho agrícola), mais categorias intermediárias.

Cavalos não árabes com até 1,44 m de altura na cernelha, incluindo os cavalos tradicionais da Ásia Oriental, são geralmente classificados como pôneis (e aqueles com até 0,96 m como miniaturas). Entretanto, alguns preferem classificar como pôneis apenas os que possuem as proporções típicas dos pôneis Shetland (robustos, de pernas curtas) e como miniaturas os cavalos pequenos com proporções normais.

As raças distinguem-se também por sua adequação às diversas funções que um cavalo pode ter:

Corrida (a galope ou de obstáculos): cavalos dolicomorfos velozes e de fôlego, equilibrados, mas nervosos (“sangue quente”), de pescoço longo e musculoso e tórax largo.

Corrida a trote montado: cavalos como os anteriores, mas de pescoço mais proporcionado e musculoso e membros mais sólidos e menos longos.

Corrida com atrelado: cavalos como os anteriores, mas particularmente resistentes e rápidos no trote, que puxam carros extremamente leves (12 kg a 25 kg) com um só jóquei.

Hipismo: cavalos ágeis, com boa capacidade de salto, algo menos fogosos (“sangue morno”), mais inteligentes, equilibrados, de pescoço longo e bem musculoso e tórax largo. Aptos também para caça e pólo.

Alta escola e Circo: como os anteriores, mas particularmente elegantes, inteligentes e versáteis, como os lipizzaner da Escola Espanhola de Viena.

Pastoreio e Rodeio: cavalos velozes e vivos, ágeis e de reflexos rápidos, usados para reunir o gado.

Turismo: cavalos resistentes, calmos e estáveis com membros sólidos e musculosos.

Sela: como os anteriores, mas com menor grau de exigência.

Tiro ligeiro (carros leves de duas rodas): cavalos elegantes, velozes e resistentes, de temperamento calmo mas vivo, bem aprumados.

Atrelagem (carruagens médias, de quatro rodas): como os anteriores, mas mais possantes e resistentes.

Tiro pesado rápido (diligências): cavalos velozes e resistentes, de temperamento calmo, mas enérgico e vivo, de pescoço curto e musculoso, membros curtos e sólidos, dorso curto, garupa larga e espádua angulosa longa e possante.

Tiro pesado lento (carroças e carroções) e agricultura (arado): cavalos particularmente resistentes, voluntariosos, de pescoço curto e musculoso, membros curtos e sólidos, dorso curto e espádua reta e possante. No passado foram também usados por cavaleiros medievais de armadura, além de usarem suas próprias armaduras.

Carga: forte, resistente, dócil e calmo.

Categoria / raça

dif. de

mobilidade

agilidade

corrida

coice

resistência

força

carga

massa

alt

peso

 

treinamento

 

 

 

 

 

(*)

 

 

m (**)

kg (***)

cavalos leves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dolicomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

puro-sangue inglês

2

17

2

8

2

6

1,61

380

trotador francês leve

1

2

16

2

2

1,55

450

trotador francês pesado

1

2

16

2

2

1,65

570

anglo-árabe francês

2

1

2

16

2

9

2

7

1,61

475

gidran árabe

2

1

2

16

2

9

2

7

1,65

525

quarto-de-milha

2

18

2

9

2

7

1,58

485

trotador americano

1

2

16

2

2

1,55

460

mesodolicomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

alter-real

1

2

15

2

9

2

7

1,55

525

pantaneiro

1

2

15

2

8

2

1,45

350

francês de sela

2

1

2

15

2

9

2

7

1,67

520

san fratello

1

2

15

2

2

1,55

540

trakehner

2

1

2

15

2

9

2

7

1,64

500

hanoveriano

2

1

2

15

2

2

1,64

550

holstein

2

1

2

15

2

2

1,60

575

lipizzaner

1

1

2

15

2

9

2

7

1,55

515

sueco de sela

2

1

2

15

2

9

2

7

1,67

525

furioso north star

2

1

2

15

2

9

2

7

1,62

525

americano de sela

1

2

15

2

9

2

7

1,65

495

mesomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

árabe

½

2

14

2

2

6

1,50

415

berbere

½

2

14

2

2

6

1,45

415

persa árabe

½

2

14

2

2

6

1,50

400

hispano

2

½

2

14

2

9

2

1,56

450

andaluz

½

2

14

2

2

1,57

570

lusitano

2

½

2

14

2

9

2

7

1,57

525

hackney

2

½

2

13

2

9

2

1,51

440

hunter irlandês

2

½

2

14

2

10

2

8

1,68

650

finlandês universal

2

½

2

14

2

2

1,53

540

shagya árabe

2

½

2

14

2

2

7

1,52

475

nonius grande

½

2

14

2

10½

2

1,60

700

nonius pequeno

½

2

14

2

2

1,50

550

morgan

2

½

2

14

2

9

2

1,48

445

pinto

½

2

13

2

9

2

1,42

440

apalusa

2

½

2

14

2

9

2

7

1,50

520

palomino

½

2

14

2

9

2

7

1,52

510

albino

½

2

14

2

9

2

7

1,54

510

mustang

½

2

13

2

9

2

1,42

445

asteca

½

2

14

2

9

2

7

1,54

495

paso peruano

½

2

14

2

2

1,49

540

campolina

½

2

13

2

9

2

1,52

445

mangalarga marchador

½

2

13

2

9

2

1,50

445

mangalarga

2

½

2

13

2

9

2

1,54

450

crioulo

½

2

13

2

2

6

1,44

400

franches-montagne

½

2

14

2

10

2

8

1,54

600

mesobraquimorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

frísio

½

2

13

2

10

2

1,53

550

noriker

½

2

13

2

11

2

9

1,62

795

cavalos pesados (braquimorfos)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

belga pequeno

0

2

11

2

10

2

1,57

550

belga médio

0

11

2

10½

2

1,62

695

belga grande

0

11

3

11½

2

1,65

895

percheron pequeno

2

0

11

2

10½

2

1,57

695

percheron grande

2

0

11

3

12

2

10

1,72

950

bolonhês pequeno

2

0

2

11

2

10½

2

8

1,57

600

bolonhês grande

2

0

11

2

10½

2

1,65

700

comtois

2

0

2

11

2

10

2

1,50

550

bretão de tiro

0

11

3

11½

2

1,60

925

bretão postal

0

11

2

11

2

9

1,60

795

auxois

0

11

3

11½

2

1,58

910

ardenês

0

11

2

11

2

9

1,57

835

suffolk punch

0

11

3

12

2

10

1,62

950

clydesdale

0

11

2

11

2

9

1,69

835

shire

0

11

3

11½

2

1,72

895

muraköz

0

11

2

10½

2

1,63

700

soviético

0

11

2

10½

2

1,55

710

pôneis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dolicomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

francês de sela

2

1

2

15

2

8

2

6

1,36

420

mesodolicomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cáspio

1

2

13

1

6

3

1,07

175

batak

1

2

14

1

6

3

3

1,27

200

sorraia

1

2

14

1

6

3

3

1,28

190

pônei americano

1

2

14

2

7

3

4

1,30

255

mesomorfos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

huçul

½

2

13

2

8

2

1,27

355

piquira

2

½

2

12

2

7

3

4

1,22

250

mongol

2

½

2

13

2

8

3

5

1,32

315

manipur

2

½

2

12

2

3

3

1,22

195

nanfan

2

½

2

13

2

8

3

5

1,24

325

chinês

2

½

2

12

2

7

3

4

1,27

250

fiorde

2

½

2

13

2

2

1,40

580

northlands

2

½

2

13

2

8

3

5

1,32

300

islandês

2

½

2

13

2

2

6

1,27

395

gotland

2

½

2

12

2

3

3

1,28

200

dartmoor

2

½

2

12

2

3

3

1,27

200

new forest

2

½

2

13

2

8

3

5

1,33

315

shetland

2

½

2

12

1

3

2

0,98

165

pônei hackney

2

½

2

12

2

3

3

1,34

200

welsh mountain

2

½

2

12

2

7

3

4

1,22

240

welsh

2

½

2

12

2

7

3

4

1,28

265

highland

2

½

2

13

2

8

3

5

1,34

315

camargue

2

½

2

13

2

8

2

1,38

345

mérens

½

2

13

2

2

6

1,39

420

pottok

½

2

12

2

3

3

1,26

190

garrano

½

2

12

1

3

2

1,12

165

avelignese

½

2

13

2

9

2

1,36

450

pindos

2

½

2

12

2

3

3

1,26